Pedreira de São Diogo

Pedreira de São Diogo é um curta-metragem dirigido por Leon Hirszman (São BernardoEles Não Usam Black-Tie) e foi incluído na coletânea Cinco Vezes Favela (1962, vários diretores), produzida pelo CPC (Centro Popular de Cultura) da UNE (União Nacional dos Estudantes) com uma proposta que marca as origens do Cinema Novo: filmes que retratam de modo bastante didático as desigualdades econômicas no Brasil, com o objetivo de mobilizar as classes populares e promover transformações socias profundas.

Assim, Pedreira de São Diogo é uma aula, mas também um poema, sobre luta e resistência popular face às estruturas sociais que oprimem os mais pobres. Na pedreira do título, trabalhadores mobilizam os moradores do morro (no RJ) para impedir que a companhia mineradora dinamite uma parte excessiva do paredão, o que colocaria abaixo as casas de muitas pessoas que moram no alto da área explorada.

Um jogo de tensões eisenstenianas amarra o filme, com o contraste alegórico entre o alto (classes populares residentes do morro) e o baixo (burguesia que administra a pedreira). Na proposta revolucionária do CPC e do Cinema Novo, as posições se invertem: o povo está no alto (valor positivo) e a elite ocupa a posição “baixa” (valor negativo). 

Articulando essas duas posições, temos os trabalhadores da pedreira, conscientes de sua classe e verdadeiros agentes revolucionários, que circulam entre o alto e o baixo, planejando e executando sua ação insurrecional. O curta é pensado com toda a dialética digna dos fundamentos marxistas (e hegelianos) da esquerda artística militante dos anos 60 – anterior ao golpe militar.