Babysplitters

babysplitters 2A premissa, em termos políticos, é maravilhosa: configurações familiares não-normativas, alternativas, progressistas. Dois jovens casais que querem, mas não conseguem ter filhos e, sobretudo, não querem abdicar 100% da carreira profissional e dos benefícios da vida sem crianças, decidem realizar um swing “clínico” e compartilhar a guarda do rebento que vier.

E o modo cômico como são tratadas as inseguranças e paranoias do personagem interpretado por Dani Puddi é uma gostosa provocação à masculinidade frágil de muitos seguidores de Jordan Peterson e cia.

babysplitters 1Mas é pena que esse tom liberal (nos costumes) não se mantenha até a conclusão, e o filme caia no conforto do desfecho tradicional, conservador, para grande alívio dos protagonistas e do público, como se tudo não tivesse passado de um sonho louco que, ufa!, acabou – não deixando maiores consequências (na verdade, não deixando consequência alguma, exceto a restauração e reforço da via conservadora).

A sensação final que tem o espectador de mente mais aberta é a de ter sido meio que ludibriado: um filme bem careta, disfarçado de transgressor.

-Pelo menos, temos o comic relief de Dani Puddi. Sem querer prendê-lo ao papel que o revelou na série de Dan Harmon, confesso que não consegui ver Dani Puddi interpretando um homem profissionalmente bem-sucedido, casado, prestes a ter filhos. O que eu via era o Abed, de Community, interpretando um homem profissionalmente bem-sucedido, casado, prestes a ter filhos – parecido com o que ele faz no episódio 19 da segunda temporada (Critical Film Studies), parodiando o filme My Dinner With Andre (1981).

Isso manteve a diversão.