2a Mostra de Cinema Egípcio no CCBB

O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) está com a 2a Mostra de Cinema Egípcio, de 29 de julho a 23 de agosto. São, no total, 24 filmes da produção contemporânea do país, todos com exibição gratuita online (a partir de cadastro no link abaixo):

https://www.orientse.com/

Seguem, abaixo, breves comentários de alguns deles:

Photocopy (2017, Tamer Ashry)

photocopyA belíssima fotografia deste filme-joia rara serve de moldura a uma história sensível (na medida certa, sem melodrama) de amor na terceira idade: amor conjugal e, sobretudo, amor à vida. É um daqueles (poucos) filmes que realmente aquecem nosso coração e renovam em nós o gosto e a esperança pela vida, pelo mundo e pela humanidade – a despeito de toda a barbárie preponderante. Esssa é, talvez, a função maior da arte.

 

 

 

Yomeddine (2018, A. B. Shawky)

yomeddineUm belo e comovente road movie sobre a amizade entre um paciente (curado) de lepra e um garoto órfão que viajam pelo Egito, corajosamente, em busca dos familiares que há muito os abandonaram. Uma cena de grande impacto e significação: os dois protagonistas investigando com estranhamento as inscrições hieroglíficas em ruínas da antiga civilização faraônica (justamente eles, párias, excluídos da vida civil). Os majestosos escombros de uma História cujo patrimônio lhes é negado e que só poderão apreciar como o fazem na cena: com uma curiosidade desapegada e uma instintiva desconfiança.

 

 

Between Two Seas (2019, Anas Tolba)

between two seasEm tons de melodrama e com uma bela fotografia (principalmente em contraluz), Between Two Seas conta ao espectador uma história trágica, carregada de um comentário social contundente: a situação precária de uma comunidade marginalizada que habita uma pequena ilha no meio do rio Nilo, nos arredores do Cairo; e a luta de suas mulheres contra a violência tradicional que sofrem: violência doméstica e mutilação genital (a cena da “circuncisão” de uma adolescente, filmada no modo poético de um sonho vago, é uma das melhores soluções que eu vi no cinema recente para evitar, elipticamente, o explícito banal de um ato de violência indescritível).

Mas, justamente a partir dos dados de resistência e resiliência, o filme transforma a tragédia (já desprovida de qualquer fatalismo subtentendido no termo) em convite para a luta, o que aquece nossos corações e faz predominar, na conclusão, um tom de esperança (não um sentimento de expectativa vago, mas a crença cabal no resultado positivo de ações políticas que nascem a partir de conscientização, esclarecimento, luta e conquista de autonomia e empoderamento). Precisamos de mais filmes assim.

 

The Gate of Departure (2015, Karim Hanafy)

the gate of departureMuito cinéfilo jovem achará “arrastado” este filme-poema de 65 míseros minutos. Mas, graças a Deus, a Arte é esse negócio assim mágico que se esparrama para muito além das débeis balizas de um videozinho do Tik Tok.

 The Gate of Departure, filme integralmente onírico, lírico, evoca as inquietações dos teóricos pioneiros do cinema vanguardista (Germaine Dulac, Louis Delluc, Fernand Léger), em defesa de um cinema puro, como eles o chamavam: não-narrativo, tão somente calcado na expressividade e na fotogenia das imagens.

Por outro lado, este quase curta-metragem é talvez a melhor meditação em forma de filme sobre a figura materna desde O Espelho (1975), de Tarkovski.

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