10 pérolas para conferir na Netflix Brasil

Se você está procurando coisas novas e diferentes para ver na Netflix, pois já viu ou não quer ver aqueles mesmos filmes / séries de que TODO MUNDO fala, aí vão algumas dicas (todas elas estavam presentes no catálogo da Netflix Brasil em janeiro de 2018). A ordem NÃO é de preferência / qualidade:

  1. Nocturama (França / Alemanha / Bélgica, 2016, dir.: Bertrand Bonello)

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Já escrevi sobre este filme no blog, aqui.

  1. I don’t feel at home in this world anymore (EUA, 2017, dir.: Macon Blair)

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Para quem gosta do cinema indie dos EUA, este filme original da Netflix é um prato cheio. Vem com todos os ingredientes, muito bem misturados e temperados: um título longo e curioso; personagens disfuncionais; violência; humor negro; alguma dose de fofura (amizade e bons sentimentos); trilha sonora de rock / pop alternativo. A história é a de uma garota depressiva (Melaney Lynskey) que se alia a um vizinho de comportamento um tanto quanto instável (Elijah Wood) para fazer justiça com as próprias mãos, após ter sua casa invadida e furtada. Ganhou o grande prêmio do júri no Festival de Sundance, ano passado.

  1. Wormwood (EUA, 2017, dir.: Errol Morris)

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Esta minissérie em 6 capítulos, produção original da Netflix, é dirigida pelo engajado e premiado documentarista Errol Morris, de Sob A Névoa da Guerra (2003). O diretor, aqui, promove uma conexão muito orgânica entre documentário (entrevistas, imagens de arquivo) e cinema narrativo – geralmente ficcional (reconstituições dramáticas de cenas, com uma mise en scène impecável) para contar uma história / demonstrar uma tese que é uma mistura de drama shakespeariano (Hamlet) com o julgamento histórico de Martinho Lutero.

Ambas as referências pontuam em vários momentos o andamento dos episódios, reforçando a sua própria pertinência alegórica. Trata-se de um filho que investiga, com a obsessão de uma vida inteira, a morte misteriosa do pai, cientista que trabalhava em projetos ultra-secretos da CIA em plena Guerra Fria.

  1. Black Sails (EUA / África do Sul, 2014-2017, criada por Robert Levine e Jonathan E. Steinberg)

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Produção original do canal Starz, Black Sails é a narrativa audiovisual sobre piratas definitiva no século XXI. É para gente grande, esqueça Piratas do Caribe. Misturando personagens reais, lendários e fictícios, esta série prende o espectador como poucas, com uma dose exata de suspense, reviravoltas e mistérios solucionados. Sem contar o drama: sentimental, histórico, político e social. E a ação épica (é claro!). Mas vamos destacar o político-social: dos 38 episódios de suas 4 temporadas, 27 deles foram escritos ou co-escritos por roteiristas mulheres. A representatividade dentro da história é coisa rara de se ver: alta representatividade (personagens) feminina, LGBT, afrodescendente.

Tudo muito orgânico, integrado à narrativa – sem parecer forçado, didático, militante ou panfletário. A história é um prequel (adulto) para o clássico literário (juvenil) “A Ilha do Tesouro”, de Robert L. Stevenson: acompanha as aventuras do Capitão Flint e sua parceria com o pirata Long John Silver, enquanto tentam construir uma reputação nos mares violentíssiomos do Caribe do começo do século XVII. Por fim, não se assuste com o nome de Michael Bay entre os produtores; Black Sails não tem absolutamente NADA a ver com as coisas nas quais Bay mete a mão.

  1. Bone Tomahawk (“Rastro de Maldade”, EUA Reino Unido, 2015, dir.: S. Craig Zahler)

 

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Esqueça aqueles cineastas hipsters e sua mania de fazer homenagens “vintage”. Aqui, nós temos um honesto, simples e genuinamente inspirado retorno aos viscerais e ultra-violentos filmes da era do exploitation (anos 50-70, principalmente), sob o gênero do western. Filme B, de verdade, sem frescuras ou firulas, com baixíssimo orçamento. Kurt Russell interpreta um xerife que, junto de mais três homens (os quais estão longe de corresponder ao padrão de herói do Velho Oeste), tenta resgatar a esposa de um deles, sequestrada por uma misteriosa tribo de nativos canibais. É o filme de estreia do diretor S. Craig Zahler, que, em 2017, nos presenteou com mais uma pérola digna das velhas grindhouses: “Brawl in Cell Block 99”.

  1. The Bad Batch (“Amores Canibais”, EUA, 2016, dir.: Ana Lily Amirpour)

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Na entrega dos Globos de Ouro deste ano, Natalie Portman denunciou a baixa representatividade das mulheres cineastas: todos os indicados para melhor diretor eram homens. A comprovação da injustiça de que falou a atriz está neste drama / ficção científica inventivo, rico em drama e poderoso em efeitos de humanidade. Em um futuro pós-apocalíptico, o que restou de civilização se esconde por trás de muros, cercas e um governo totalitário. Os cidadãos que “não prestam” (os bad batch = “lotes avariados”) são expulsos para o deserto que domina do lado de fora, habitado aqui e ali por grupos canibais (mais uma vez, presentes nesta lista). Vem, então, uma história de amizade (amor?) entre uma exilada (Suki Waterhouse) e um antropófago (Jason Momoa). Atenção para a participação de Keanu Reeves, como um líder mafioso / religioso.

  1. Chuck Norris vs. Comunism (Reino Unido / Romênia / Alemanha, 2015, dir.: Ilinca Calugareanu)

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Este documentário saborosíssimo, repleto de boas cenas dramáticas de reconstituição (no estilo de Wormwood, já comentado nesta lista), procura demonstrar a influência subversiva dos filmes B de ação norte-americanos dos anos 80 (particularmente aqueles produzidos pelo lendário Canon Group) no enfraquecimento e eventual queda da ditadura comunista na Romênia, no final da década de 80. Pirateados e contrabandeados em VHS, com dublagem precária e divertidíssima (naquela criatividade que só a carência de recursos materiais pode trazer à tona), esses filmes clandestinos chegavam às mãos de todos e eram apreciados por todos – até pelo filho do ditador, praticamente o único que desconhecia a “rede”.

  1. Branco Sai, Preto Fica (Brasil, 2014, dir.: Adirley Queirós)

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Ficção científica brasileira – cinema de gênero feito neste país é coisa raríssima, ainda mais feito com competência e pouco orçamento. Filme independente, que cutuca feridas raciais / sociais abertas. Elementos de documentário. Fotografia belíssima – principalmente em contra-luz. Na década de 80, a polícia invade uma festa na periferia de Brasília (a cidade-satélite de Ceilândia), aos gritos de “branco sai, preto fica”. Dois rapazes negros acabam baleados. Um viajante do tempo (igualmente negro) aparece para investigar o que realmente aconteceu, pois em sua era os documentos sobre o fato são escassos, e comprovar o que todo mundo sabe, mas ninguém quer admitir.

  1. The Meyerowitz Stories (New and Selected) (“Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe”, EUA, 2017, dir.: Noah Baumbach)

The Meyerowitz Stories ainda não estreou nos cinemas

O diretor e roteirista de A Lula e A Baleia (2005) e Frances Ha (2012) molda aqui mais uma pequena joia do cinema independente norte-americano – produção original Netflix. Três meios-irmãos (Adam Sandler, Ben Stiller e Elisabeth Marvel) se reúnem para discutir os rumos da vida e da obra do pai (Dustin Hoffman), um escultor em decadência. Evidentemente, muitas questões neuróticas de família surgirão, todas trabalhadas com fino humor e sensibilidade. Atenção para a curiosíssima briga de mão entre Sandler e Stiller.

  1. Atari: Game Over (EUA, 2014, dir.: Zak Penn)

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Inacreditável documentário que conta a história de como um único jogo (ET: O Extra-terreste, lançado em 1982) quase destruiu não só o fabricante dos consoles (Atari) mas toda a incipiente indústria de videogames. Investigação de uma lenda urbana: a companhia teria sepultado, em um aterro sanitário, cerca de 3 milhões de cartuchos do jogo em questão, encalhados. Este filme e o de número 7 nesta lista levarão às lágrimas quem viveu os anos 80 na idade certa.

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